terça-feira, 26 de março de 2013

Keep Calm que o Sr. "engenheiro" voltou!

  A comemorar os 56 anos de serviço público, a RTP decidiu brindar os seus telespectadores com aquilo a que gosto de chamar o pináculo da programação. Finalmente, teremos a oportunidade de assistir ao (aguardado) regresso de José Sócrates, deste vez como comentador político. Gosto de fazer um exercício de imaginação e pôr-me a pensar, o que será que este senhor vai comentar. A frente polar que atinge Portugal Continental? A migração dos bacalhaus? A manifestação em Paris contra o casamento gay?

  Sinceramente, não sei. A última vez que tive a felicidade de o ouvir falar, proferiu a imortal frase : " As dívidas não são para se pagar, são para se negociar", portanto a fasquia está deveras alta, quase impossível de superar. Mas para esta sumidade da nossa praça, considerado por muitos (José Lello, e os seus amigos) o melhor primeiro-ministro português, e por outros (ele próprio) o próximo Presidente da República, nada é impossível. Aliás, a sua generosidade e altruísmo são tão grandes, que aceitou ter 25 minutos semanais de tempo de antena, sem receber um tostão! A minha fé na humanidade está finalmente restabelecida.

  Não é segredo para ninguém o meu desprezo pelo dito senhor, mas acho que é legitimo perguntar: depois de tudo o que este senhor fez, depois de nos ter conduzido a uma situação de falência e de pré-bancarrota, triplicando a dívida pública e deixando o país sem recursos para pagar um mês de prestações sociais. É verdade que todos os outros, de ambos os quadrantes políticos contribuíram para a situação em que nos encontramos, mas nenhum o fez a estas dimensões. É caso para dizer : façam-se as contas! 

  Para aqueles que defendem que, apesar de tudo o que possa ter provocado, Sócrates tem direito à sua liberdade de expressão, é uma verdade constitucionalmente consagrada. No entanto, o dito senhor não se mostrou reticente quando tentou restringir ou mesmo eliminar essa liberdade a uma jornalista de uma televisão privada, e ao seu "jornal transvestido".

  É para isto que serve o Serviço Público em Portugal, e foi por isto que milhares de portugueses se insurgiram contra a privatização da RTP, empresa que dá milhões de prejuízo ao Estado e consequentemente aos contribuintes. Contribuintes que financiaram durante 6 anos a vida de luxo que este senhor mantêm na cosmopolita cidade de Paris, e que vão continuar a financiar assistindo ao seu comentário político semanal.

  Aguardo com alguma ansiedade, o momento em que aquela voz penetrante vai entrar novamente pelas nossas casas adentro, só para poder ter a satisfação de mudar de canal e de sentir que não vou ter os meus ouvidos conspurcados, pelo assertivo e legitimo comentário do melhor primeiro-ministro de todos os tempos. Pela primeira vez na minha vida, até uma das novelas da TVI vai ser mais agradável e útil do que a programação proporcionada pelo Sr. " Engenheiro" e patrocinada por nós, os contribuintes.

 Parabéns RTP, Parabéns pelo serviço que prestam aos portugueses!

P.S. - (Não) Percam às quartas-feiras, pelas 21:00h, o espaço informativo intitulado : " José Sócrates, o fim do silêncio"!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um grande passo para o país, mas um pequeno passo para a oposição

Finalmente começamos a sentir algum resultado das medidas de austeridade de que temos sido alvos desde alguns anos a esta parte. Tivemos ontem a notícia do tão esperado regresso aos mercados de dívida, com um sucesso sem precedentes. O objectivo para o dia foi quadruplicado, o que demonstra o regresso da confiança dos investidores. As consequências deste movimento só podem ser favoráveis : aumento da confiança no país, aumento do investimento privado internacional, e um maior encaixe financeiro que permitirá uma progressiva diminuição da emergência económica. Como se isto não bastasse para aumentar o ego do nosso Governo, também soubemos que não só o Governo cumpriu a meta do défice, como este ficou abaixo daquilo que fora previsto.
Para qualquer pessoa de bom senso, estas seriam boas notícias. Mas este não é claramente o caso de António José Seguro e da oposição. Eu não queria estar constantemente a bater no ceguinho, mas o senhor dá-me razões para tal. Há seis meses atrás, Seguro dizia (muito claramente) " O governo está a mentir! Não vamos conseguir regressar aos mercados antes de 2014! Esta política de austeridade não vai permitir esse regresso!". Depois do anúncio do tal regresso, Seguro referiu " Isto não é nada que o PS não tenha previsto! Demonstra a capacidade de trabalho do partido Socialista!". Com isto tudo, só posso concluir que AJS é, muito claramente, um ceguinho a quem dá gosto dar uns murros e uns pontapés de vez em quando.. E o mesmo se passa com a restante oposição. Catarina Martins e João Semedo, querem mostrar que são tão competentes como o seu antecessor, Bernardino Soares tem um dicionário no qual a palavra reconhecimento não existe e Heloísa Apolónia, que continuar a difundir as suas ideias sem ter de recorrer ao potente microfone da Assembleia.
Não quero com isto dizer que as dificuldades acabaram, e que vamos deixar de fazer esforços. Não, ainda temos um longo caminho pela frente. Mas estávamos à beira do precipício , mas tomámos a decisão certa e demos um passo atrás. Mas é importante que percebamos que a linha que nos separa do fundo do precipício é muito ténue e importa continuar a trabalhar no sentido de alcançar os objectivos pretendidos e acordados.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A clareza de António José Seguro

 Se há uma coisa de que não podemos acusar o actual líder do PS é de falta de clareza. De facto, António José Seguro, é um homem muito claro em tudo aquilo que diz, mesmo que na maior parte das vezes sejam apenas devaneios ou sonhos de criança por cumprir. A verdade é que é sempre bom ter um líder da oposição que nos diverte e diverte o governo. Não me parece que Pedro Passos Coelho, Vitor Gaspar, ou mesmo o Alvaro se sintam incomodados com o tipo de oposição feita por José Seguro. O PS sempre foi um partido que primava pelas lideranças fortes e com uma grande base de apoio, dentro e fora do partido. Mas quer-me parecer que essa tradição está a ser quebrada. O país precisa de um PS mais forte e mais interventivo, um PS que saiba assumir as suas responsabilidades na situação calamitosa que enfrentamos, mas ao mesmo tempo um PS que se apresente como uma alternativa credível com propostas concretas.
Não será pedindo (muito claramente) uma maioria absoluta, numas eleições sem data à vista que o líder do PS levará avante os seus projectos para o futuro do país. Nada de bom se constrói num ambiente de guerra e oposição constante. As metas que nos propusemos a atingir junto das entidades internacionais dependem de um alargado consenso nacional que António José Seguro parece ainda não ter entendido. E convém que entenda rapidamente, e que alguem lhe explique quem é que nos levou a esta situação. Não é admissivel que se descarte das suas reponsabilidades enquanto representante do Partido Socialista e actue como se fosse uma vítima das circunstâncias.
Dr. António José Seguro, gostaria de lhe pedir para parar de se divertir tanto com o Dr. Carlos Zorrinho, e pensar mais no país. Pensar no estado em que o seu partido nos deixou e actuar. Assumir a responsabilidade e começar do zero. É isto que os Portugueses esperam de si. É uma oposição forte que os Portugueses esperam do PS. E já agora, já ninguem suporta ouvi-lo a dizer as coisas muito claramente.